segunda-feira, 26 de setembro de 2011

A delicadeza do silêncio...





Aprenda com o silêncio a ouvir os sons interiores de sua alma, a calar-se nas  discussões e assim evitar tragédias e desafetos. Aprenda com o silêncio a aceitar alguns fatos que você provocou, a ser humilde, deixando o orgulho gritar lá fora, e a evitar reclamações vazias  e sem sentido.

Aprenda com o silêncio a reparar nas coisas mais simples, valorizar o que  é belo e ouvir o que faz algum sentido. Aprenda com o silêncio que a solidão não é o pior castigo; existem companhias bem piores. Aprenda com o silêncio que a vida é boa; nós só precisamos olhar para o  lado certo, ouvir a música certa e ler o livro certo.

Aprenda com o silêncio que tudo tem um ciclo; como as marés que insistem  em ir e voltar, os pássaros que migram e voltam ao mesmo lugar e como a  Terra que faz a volta completa sobre seu próprio eixo, complete sua tarefa.

Aprenda com o silêncio a respeitar sua vida, valorizar seu dia, enxergar em  você as qualidades que você possui, equilibrar os defeitos que você tem e  saber  que precisa corrigir e enxergar aqueles que você ainda não descobriu. Aprenda com o silêncio a relaxar, mesmo no pior trânsito, na maior das  cobranças, na briga mais acalorada, na discussão entre familiares.

Aprenda com o silêncio a respeitar o seu “eu”, a valorizar o ser humano que   você é,  a respeitar o Templo que é seu corpo e o Santuário que é sua vida. Aprenda hoje com o silêncio que gritar não traz respeito;  que ouvir ainda é melhor que muito falar. Quando as palavras cansam, o silêncio entra  em ação. É doloroso. Desestabiliza. É amedrontador.  Mas é também reconfortante.
 
Só entendemos o silêncio, quando dele nos tornamos presas... quando nos faz reféns de sua presença e percebemos seu horror ou sua glória. Podemos amordaçar a palavra, mas o silêncio, não há quem cale, nem quem resista à sua eloqüência muda.
Na natureza tudo acontece com poder e silêncio, com um silêncio poderoso,   embora, por vezes, o silêncio seja confundido com fraqueza, apatia ou  indiferença.
 
Pensa-se equivocadamente que a pessoa portadora desta virtude está    impedida   de reclamar seus direitos e deve tolerar com passividade todos  os abusos. Acredita-se que o silêncio não combina com o poder, pois este tem sido confundido com prepotência e violência.

O Sol nasce e se põe em profunda quietude, move gigantescos sistemas   planetários, mas penetra suavemente pela vidraça de uma janela sem a  quebrar. Acaricia as pétalas de uma rosa sem as ferir e beija as faces de uma criança adormecida sem a acordar; aí uma vez mais vamos encontrar  na natureza lições preciosas a nos dizer que o verdadeiro poder anda de  mãos dadas com a quietude.

As estrelas e galáxias descrevem as suas órbitas com estupenda velocidade pelas vias inexploradas do cosmos, mas nunca deram um sinal de sua  presença pelo mais leve ruído. O oxigênio, poderoso mantenedor da vida, penetra em nossos pulmões, circula discreto pelo nosso corpo e nem lhe notamos a presença.

A luz, a vida e o espírito, os maiores poderes do Universo, atuam com a suavidade  de uma aparente ausência. Como nos domínios da natureza, o verdadeiro poder do homem não consiste  em  atos de violência física; quando um homem conquista o verdadeiro poder  toda a  antiga violência acaba em benevolência.
 
A violência é sinal de fraqueza; a benevolência é indício de poder.  Mil palavras sejam ditas em lugar do silêncio  em desavença! Sua ressonância machuca mais que tudo que se possa dizer. Vão-se as pessoas, faz-se a guerra, sara o peito, foge a vida, passa tudo!!

Mas o silêncio permanece e guarda as cores e os sabores daquilo que foi. O silêncio não poupa nem a morte, fria e muda. E nela se revela contundente e fala sem palavras, mais que a própria vida. Os grandes mestres sabem ser severos, rigorosos,  sem relegarem a mais  perfeita quietude e benevolência.

Deus, que é o supremo poder, age com tamanha quietude que a maioria dos  homens nem percebe a Sua ação. Esta poderosa força, na qual todos estamos mergulhados mantém o Universo em  movimento, faz pulsar o coração dos pássaros, dos bandidos e dos homens de  bem, na mais perfeita leveza. Até mesmo a morte chega de mansinho e como hábil cirurgiã rompe os laços  que prendem a alma ao corpo, libertando-a do cativeiro físico.

O verdadeiro poder chega sem ruídos, sem alarde e sem violência. Sempre que a palavra poder lhe vier à mente, lembre-se do Sol: nasce e se põe  em profunda quietude; move gigantescos sistemas planetários, mas penetra suavemente pela vidraça de uma janela e você só sabe de sua  presença pelo calorzinho que ele proporciona.
 
Acaricia as pétalas de uma flor sem a ferir; beija  as faces de uma criança  adormecida sem a acordar. E em respeito a você eu me calo, me silencio, para que você possa ouvir o seu interior que quer lhe falar, lhe desejar uma vida vitoriosa.
           
Desejo uma vida de paz e silêncio para você!!!

(A.D.)


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