segunda-feira, 19 de setembro de 2011

A busca...




Longamente peregrinei através de muitas vidas por muitas terras, entre muitos povos em busca da meta que não conhecia. Carreguei o pesado fardo de muitas posses, das riquezas do mundo, dos confortos que fazem a estagnação.

Prostrei-me ante os altares dos santuários que encontrei à margem da estrada  e os deuses me recusaram a meta que pretendia. E na magia das palavras e na embriaguez do incenso permaneci abrigado nas sombras entre as paredes do templo. Criei filosofias e credos, complicadas teorias de vida.

Entranhei-me das criações intelectuais do homem com elas me engrandeci em arrogância. E, tão súbito quanto a tempestade desaba, vi-me nu, esmagado pela agonia de coisas transitórias. E como as terras do deserto sem sombras assim se tornou minha vida. Vi e me ouvi eremita. Livra-te do veneno do preconceito que corrompe tua verdade porque és imenso em teus preconceitos, tanto velhos quanto novos. Livra-te da estreiteza de tuas tradições, convenções, hábitos, sentimentos de posse.

Como o homem que não tem ouvidos, és surdo para a música melodiosa. Como o homem que não tem olhos, és cego para o esplendor do crepúsculo. Como o mergulhador que desce ao fundo do mar arriscando a vida pelo gozo transitório, deves tu também penetrar fundo em ti mesmo. Como o audaz alpinista que conquista os altos cumes, deves tu também ascender àquela altura vertiginosa, de onde todas as coisas são vistas em suas verdadeiras proporções.

Como o lótus que, rompendo o lodo, ao céu se eleva deves tu também arredar todas as coisas transitórias se queres descobrir tua força oculta para enfrentar as viscitudes do mundo. Como a rápida corrente conhece sua nascente, deves tu também conhecer teu próprio Ser. Como a trilha tortuosa da montanha, descortina a cada instante vistas novas, assim também em ti há uma revelação constante a cada experiência de encontro.

Como o mar encerra uma multidão de seres vivos, em ti fazem ocultos segredos de todos os mundos. Como a flor que desabrocha à branda luz do sol, deves tu te abrir, se te queres conhecer. Perscruta tuas próprias profundezas com os olhos límpidos se queres perceber todas as coisas. Como o lago tranqüilo que reflete o céu, assim deverão os homens e as coisas em ti se refletir. E como o rio misterioso que no largo mar se lança adentro me lancei no mar
da libertação.


Autoria: Krishnamurti

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