terça-feira, 15 de maio de 2012

Quando Deus aparece...




Sou dessas que não tem religião fixa. Para ser muito sincera, não consegui levar fé no Deus das religiões que conheci. Do alto do livre arbítrio, meu coração resolveu crer apenas num Deus pessoal, que é puro amor e carinho, sem os rótulos, normas, condenações e prisões inseridas pela religião e, ainda assim, há momentos em que duvido da tal Existência… Mas, em outros dias, o que vejo, vivo e sinto é uma Presença tão concreta que não me deixa dúvida: Deus, às vezes, aparece!

Deus resolve aparecer quando menos espero, na beleza escondida de um dia cinza, na gargalhada alta de um amigo querido, na palavra de um estranho, num olhar para o oceano, na revolta da natureza, na beleza simples do raiar de um novo dia, na lembrança de um amigo distante, em meus pais, quando se preocupam e, principalmente, quando me aceitam, apesar de todos os meus erros.

Deus me aparece nos livros, em escritos que não me parecem obra de um ser mundano, mas de algo mais que humano.

Deus me aparece – muito! – quando, milagrosamente, me apaixono e cada olhar para as coisas em conjunto toma um ar renovado de estar vendo tudo pela primeira vez, com olhos brilhantes de beleza única.

Deus me aparece quando converso com uma pessoa especial que está ultra distante e, no entanto, me parece mais próxima que alguém que esteja ao meu lado.

Deus me aparece quando saboreio algo muito bom e deito na minha cama, com lençóis limpos e perfumados… Deus, me faz percebê-Lo nos sentidos.

Deus, às vezes, fica tímido e não quer aparecer, mas resolve conversar e me manda músicas, que conversam direto com meu inconsciente, num papo tão frenético e intenso, que se fosse consciente, talvez eu não conseguisse acompanhar.

Deus é tão surreal que me entende. Às vezes, me deixa brincar de ser Ele, infiltrando-Se em mim para conversar com outros. De vez em quando, me abandona no silêncio imperioso de meus próprios sons, para depois voltar, suave e majestoso, infiltrado na voz e na existência de outro ser, mundano igual a mim, mas cheio do Seu poder de se fazer notar.

Deus me aparece no amor que troco com minha gata, no teto que tenho para me esconder do mundo, na poesia, na tristeza e muito na alegria.

Deus entende de tristeza, mas É definitivamente, alegre.

Deus me aparece sempre quando olho com amor para algo além de mim.

Deus pode nem estar sempre por perto, porque é bastante requisitado e também gosta de dar umas voltinhas por aí, para não se cansar demais de mim, mas quando dá de aparecer, o Cara é incisivo em se fazer notar. E é tão benevolente que nem liga quando eu o chamo de criança, cara ou moço… Ele é assim, vive por aí, está em você, mas não se esquece de mim.

Namastê!

O Deus que habita em mim saúda sempre o Deus que habita em você. Simples assim.

Autoria: Claudia Costa

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