sexta-feira, 25 de maio de 2012

Sinfonia a um pássaro marítimo...



"Não é possível colocar uma grande carga numa pequena mala. Nem é possível, com uma corda curta, tirar água de um profundo poço. Não é possível falar a um hábil político, como se ele fosse um sábio. E se ele o procurar entender, se olhar para dentro de si, a fim de encontrar a verdade, ele não a encontrará alí. Não a encontrando, ele tem dúvidas, quando um homem tem dúvidas, ele mata. Você não ouviu falar como um pássaro do mar. Foi levado pelo vento até à práia e pousou. O Príncipe ordenou uma recepção solene, ofereceu vinho ao pássaro marítimo no recinto sagrado. Chamou os músicos para tocarem composições de Shun, matou gado para alimentá-lo: atordoado com sinfonias, o infeliz pássaros marítimo morreu desesperado. Como trataria você a um pássaro? Como a si próprio ou como a um pássaro? Não deve um pássaro construir o ninho na floresta profunda, ou voar sobre o prado e o pântano? Não deve nadar no rio e no lago, voar em conjunto com outras aves aquáticas e repousar nas plantações? Bem terrível para um pássaro marítimo é estar cercado de homens e amedrontar-se com suas vozes! Mas isto não bastou! Eles mataram-no com música! Toque quantas sinfonias quiser nos pântanos de Thung-Ting. Os pássaros fugirão em todas as direções; os animais esconder-se-ão; os peixes mergulharão até o fundo do mar; mas os homens juntar-se-ão e escutarão. A água é para os peixes e o ar é para os homens. A natureza difere e, com ela, o necessário. Por isso, os sábios antigos não colocavam uma medida para todos."

Autoria: Chuang Tzu

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