segunda-feira, 22 de agosto de 2011

Como acertar o alvo...






Este tem sido o sentimento quando pensamos o ser humano no que diz respeito ao trabalho que desempenha em nossa sociedade.

            De um lado o Eu do trabalhador que possui uma história de vida e expectativas em relação ao seu emprego. De outro, o Eu do empregador, também com sua história de vida e expectativas em relação à empresa que administra; pessoas que se encontram num momento em que devem produzir satisfatoriamente e, talvez, alcançar a sensação de satisfação com suas atividades.

            O dilema pode surgir quando pensamos que estas duas pessoas, com seus Eus específicos, devem caminhar juntos para que resultados sejam obtidos, isto é, acertar o alvo. Nesta abordagem, entendemos que acertar o alvo seja atingir as metas traçadas, tanto para a pessoa do empregador, como do colaborador, entendendo-os como pessoas que atingem seus objetivos e que, consequentemente, se tornam relativamente felizes pelo trabalho e resultados alcançados. Mas, por que então isto não acontece? Por que tem sido sempre o mesmo problema: insatisfação.

            Precisamos considerar que cada pessoa tem sua própria história, se constituindo de formas específicas de ver, sentir e atuar na vida. Então, quando falamos no empregador, administrador, empresário e no colaborador estamos considerando pessoas com diferentes perfis, que não se constituem somente por seus currículos. Por isto não acertamos o alvo, porque acreditamos que o que está escrito no currículo define o perfil de cada uma dessas pessoas. Esta tem sido a armadilha em que temos caído: na triste ilusão de entender o ser humano a partir das suas habilidades, isto é, naquilo em que se tornou hábil durante sua vida, sem considerá-lo como ser de características, virtudes e aptidões próprias que praticamente independem do currículo de formação acadêmica ou técnica. Desta forma, quando essas pessoas se encontram com a pretensão de acertar o alvo – atingir seus objetivos, tanto por parte do empregador quando do colaborador – o fazem sem o conhecimento de seus Eus e sim daquilo que foi acordado baseado exclusivamente no que estava escrito, portanto nos privando de uma leitura mais fiel.

            O Eu de cada um é um ser que possui, além de características próprias, tudo o que perfaz sua trajetória de vida e a forma como a sente, elaborando e expressando todo seu Ser através de valores, atitudes e condições para lidar com as situações do dia a dia. Portanto, o Eu é a soma de características próprias da personalidade e tudo aquilo que o habilita para uma atividade específica e, talvez muito mais, na autopercepção do Eu de cada um e o quanto acredita em si.

            Talvez consigamos acertar o alvo se somarmos ao currículo o Eu da pessoa em questão, entendendo-o como Ser de atributos e habilidades, podendo ou não ser feliz na função a que se candidata ou realiza, pois cada um de nós se encontra naquilo em que se satisfaz, proporcionalmente as aspirações de sua vida.  


Autoria: Domício Martins Brasiliense

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