sexta-feira, 12 de agosto de 2011

Tua alma...





Entra em minha casa, caminha um tanto mais... 
e não te impressione este pátio ermo e ressecado - ele é um sinal.
Se queres conhecer minha casa, ignora este pátio ermo e ressecado: ele é um sinal.
Se fores capaz de prosseguir, vem então... percorre esta horta abandonada 
e estes jardins sem flores, eles sao outro aviso... 
se queres conhecer minha casa, 
esquece esta horta e estes jardins.
Vem, segue um tanto mais a inspiração que dirige teus passos 
e repudia os passos que querem dirigir teu coração pois, 
do contrário, serás incapaz de conhecer minha casa.
Sim, vem por esse pântano, ele esconde a chave que abrirá os portais de minha casa.
Se fores capaz, atravessa o lamaçal, com o barro a tocar-te os joelhos... segue, se possível sem perguntar... o barro pode ocultar segredos... 
e em segredo te direi: "bem-vindo és à minha casa!"
E agora aqui estás, nesta planície, livre de toda paisagem.
Uma planície repleta de nada por todos os lados.
Se fostes capaz de chegar até aqui fecha agora teus olhos, 
pois aqui eles são desnecessários.
Deixa que a sensação que te invade te suspenda no vazio e entrega-te a ela... 
confia, porque estás próximo... agora despede os pensamentos, deixa que tua mente adormeça, porque em minha casa não entram nem pensamentos nem mente.
Abre assim teus verdadeiros olhos e exulta: 
minha casa és tu mesmo, livre de toda paisagem. 
Tu és a casa, vazia, sempre vazia, para que, permanentemente, 
transborde a luz que nela se reflete e a transpassa!
Tu és a casa!
Tu és o espelho que se poliu até estampar a imagem do próprio Sol!


Autoria: Julio Polidoro

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