quarta-feira, 2 de maio de 2012

Os 24 gurus de Dattatreya ...




Dattatreya era absolutamente livre de intolerância ou preconceitos de qualquer tipo. Ele aprendia a sabedoria de qualquer fonte que viesse. Todos os que buscam a sabedoria devem seguir o exemplo de Dattaterya.

Uma certa vez o rei Yadu avistou Dattaterya que estava caminhando alegremente pela floresta. Ao ver tamanha felicidade, Yadu perguntou à Dattatreya o nome de seu Guru. Dattatreya por sua vez disse à Yadu: "Somente Atma é meu Guru, porém obtive a sabedoria de 24 indivíduos, logo estes são meus Gurus:"

1 - Terra
2 - Água
3 - Ar
4 - Fogo
5 - Céu
6 - Lua
7 - Sol
8 - Pombo
9 - Jibóia
10 - Oceano
11 - Mariposa
12 - Abelha coletora
13 - Abelha
14 - Elefante
15 - Veado
16 - Peixe
17 - Dançarina
18 - Corvo 19 - Bebê
20 - Donzela
21 - Cobra
22 - Artesão
23 - Aranha
24 - Besouro

1 - Eu aprendi paciência e a fazer o bem para os outros através da Terra, pois ela suporta cada ofensa que o homem comete em sua superfície e assim mesmo lhe faz o bem ao produzir os frutos, grãos, etc.

2 - Da água eu aprendi a qualidade da pureza. Assim como a água pura limpa os outros, também o sadú, que é puro e livre do egoísmo, luxúria, raiva, ganância, etc; purifica todos aqueles que entram em contato com ele.

3 - O ar está sempre se movendo através de vários objetos, mas ele nunca se apega a nenhum deles; então eu aprendi do ar a ser não-apegado, mesmo movendo-me com muitas pessoas neste mundo.

4 - Assim como o fogo brilha ao queimar, assim também o sadú deve resplandecer com esplendor do seu conhecimento e Tapas (Austeridades).

5 - O ar, as estrelas, as nuvens, etc; estão todos contidos no céu, mas o céu não entra em contato com nenhum deles. Eu aprendi do céu que Atma é todo-penetrante e ainda assim não tem contato com nenhum objeto.

6 - A lua é em si mesmo completa, mas parece aumentar ou diminuir, de acordo com a sombra da terra por sobre ela, que varia. Disto eu aprendi que Atma está sempre perfeito e imutável e que são somente os Upadhis ou adjuntos limitantes que sobrepoem sombras sobre Ele.

7 - Assim como o sol, refletido em diversos potes de água, aparece como muitas diferentes reflexões, assim também, Brahman aparece em diferentes formas por causa dos Upadhis (corpos) causados por sua reflexão através da mente. Esta lição eu aprendi do sol.

8 - Certa vez vi um casal de pombos com seus filhotes. Um passarinheiro jogou uma rede e capturou os jovens pássaros. A mãe pombo estava muito apegada a seus filhotes. Ela não se importava em viver, então entrou na rede e foi capturada. O pombo macho era apegado a pomba fêmea, logo ele também caiu na rede e foi capturado. Disto eu aprendi que o apego era a causa do cativeiro (Samsara).

9 - A jibóia não se move para obter comida. Ela contenta-se com o que quer que ela capture e fica deitada em um lugar somente. Disto em aprendi a ser não me preocupar com comida e a me contentar com o que quer eu consiga pegar para comer (Ajahara Vritti).

10 - Assim como o oceano permanece imóvel mesmo que centenas de rios desemboquem nele, assim também o homem sábio deve permanecer imóvel entre os diversos tipos de tentação, dificuldades e problemas. Esta é a lição que eu aprendi do oceano.

11 - Assim como a mariposa, sendo atraída pelo brilho do fogo, cai dentro dele e se queima, assim o homem passional que se apaixona por uma linda garota chega à tristeza. Controlar o sentido da visão e fixar a mente no Ser é a lição que eu aprendi da mariposa.

12 - Assim como a abelha-coletora suga o mel de diferentes flores e o suga de somente uma flor, assim eu também pego um pouco de comida de uma casa e um pouco de outra e assim apazigüo minha fome (Madhukari Bhiksha ou Madhukari Vritti). Eu não sou um fardo para os chefes-de-família.

13 - As abelhas coletam o mel arduamente, mas o caçador vem e pega o mel com facilidade. Do mesmo modo, as pessoas acumulam riquezas e outras coisas com grande dificuldade, mas eles têm que deixar todas elas quando partem ou quando o Senhor da Morte as chama. Disto eu aprendi a lição de que é inútil acumular coisas.

14 - O elefante macho, cegado pela luxúria, cai dentro de um buraco coberto por folhas ao simples vislumbre de uma elefoa feita de papel. Ele é capturado, acorrentado e torturado pelo caçador. Do mesmo modo os homens passionais caem nas armadilhas das mulheres e são levados à tristeza. Logo deve-se destruir a luxúria. Esta é a lição que eu aprendi do elefante.

15 - O veado é seduzido e capturado pelo caçador através de seu amor pela música. Do mesmo modo, um homem é atraído pela música da mulher de caráter duvidoso e é levado a destruição. Não deve-se ouvir canções libertinosas. Esta é a lição que eu aprendi do veado.

16 - Assim como o peixe é cobiçoso pela comida e é vítma fácil de uma isca, assim também, o homem que é ganancioso por comida, e permite que seu sentido da gustação o domine, perde sua independência e é facilmemte arruinado. A ganância por comida deve estão ser destruída. Esta é a lição que eu aprendi do peixe.

17 - Havia uma dançarina chamada de Pingala na cidade de Videha. Ela estava cansada de procurar por clientes uma noite. Ela ficou sem esperanças. Então ela decidiu permanecer contentada com o que ela tinha e dormiu suavemente. Eu aprendi desta mulher caída a lição de que o abandono de esperanças leva ao contantamento.

18 - Um corvo pegou um pedaço de carniça. Ele foi perseguido e surrado por outros pássaros. Ele deixou o pedaço de carniça cair e então obteve paz e descanço. Disto eu aprendi a lição de que um homem mundano passa por todos os tipos de problemas e desgraças quando ele corre atrás da satisfação dos sentidos e torna-se tão feliz como o pássaro que abandona os prazeres sensuais.

19 - O bebê que suga o leite é livre de todas as preocupações e ansiedades e está sempre alegre. Eu aprendi esta virtude de um bebê.

20 - Os pais de uma jovem donzela sairam em busca de um pretendente apropriado para ela. A garota estava sozinha em casa. Durante a ausência dos pais, uma comitiva de pessoas foi até a casa com o mesmo propósito. Ela mesmo recebeu a comitiva. Ela foi para dentro para debulhar o arroz com casca. Enquanto ela estava debulhando, os braceletes de vidro em suas mãos fizeram um ruido estridente. E sábia garota então refletiu: "A comitiva irá preceber, pelo barulho dos braceletes, que eu estou debulhando o arroz sozinha e que minha família é muito pobre para contratar outros para ter o trabalho feito. Deixe-me quebrar todos os braceletes, deixando apenas dois em cada mão." Então ela quebrou todos os braceletes deixando apenas dois em cada mão. Ainda assim os braceletes criavam muito barulho. Então ela quebrou mais um bracelete em cada mão. Não havia mais barulho e então ela proseguiu o debulhar. Eu aprendi da experiência desta garota o seguinte: "Vivendo em meio a muitos causaria discórdia, pertubações e brigas. Mesmo entre duas pessoas, podem haver palavras desnecessárias ou conflitos. O asceta ou Sannyasi deve permanecer sozinho na solidão.

21 - Uma cobra não constrói o seu buraco. Ela habita nos buracos perfurados pelos outros. Do mesmo modo um asceta ou Sannyasi não deve construir uma casa para ele. Ele deve viver nas cavernas ou templos construidos pelos outros. Esta é a lição que eu aprendi da cobra.

22 - A mente de um artesão estava totalmente focada em afiar e plainar uma flecha. Equanto ele estava engajado neste trabalho, um rei passou em frente ao seu estabelecimento com toda sua comitiva. Após algum tempo, um homem veio até o artesão e perguntou-lhe se o rei havia passado por sua loja e o artesão respondeu que não havia percebido nada. O fato era que  a mente do artesão estava unicamente absorta em seu trabalho e então ele não notou a passagem do rei em frente a sua loja. Eu aprendi deste artesão a qualidade da intensa concentração da mente.

23 - A aranha produz de sua boca longos fios as tece em uma teia. Ela mesmo acaba ficando presa na teia que acabara de tecer por si só. Do mesmo modo, o homem faz uma teia de suas próprias idéias e fica emaranhado nelas. O homem sábio deve então abandonar todos os pensamentos mundanos e pensar em Brahman unicamente. Esta é a lição que eu aprendi com a aranha.

24 - O besouro captura um verme, o coloca em seu ninho e lhe dá uma picada. O pobre verme, sempre temeroso do retorno do besouro e da picada, e pensando constantemente no besouro, se torna o besouro em si próprio. O que quer que seja que um homem pense constantemente, ele atinge no curso do tempo. Assim como um homem pensa, ele então se torna. Eu aprendi do besouro e do verme a me tornar o Atma ao contemplar constantemente Ele e então abandonar todo o apego ao corpo e atingir Moksha ou libertação.

O Rei Yadu ficou imensamente impressionado pelos ensinamentos de Dattaterya. Ele abandonou o mundo e praticou constante meditação no Ser.

Autoria: Swami Sivananda

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