quarta-feira, 17 de agosto de 2011

Dores da alma...

 
 
 
 
Nada adiantará destilar as dores da alma... para o mundo,
imprescindível é desfilar com pertinácia o seu destino,
suporte este ardor que passeia dentro do peito, querendo sair.
Pode ser uma angustia descomprometida... um medo sem medida,
uma saudade de outra vida, uma vontade de fugir.
Se, contudo... nada adiantar, não a estampe no rosto,
nem a distribua... nem na cama, nem na rua.
Pode até afogá-la no próprio choro, ou esconde-la no próprio pranto,
mas, jamais a atire ao vento, ou a banalize em desencanto.
Que tenha todas as dores, e que sejam instrumentos do crescer,
e que fiquem ai dentro, nessa sua consciência íntima, até morrer.
Nada adiantará... destilar ao mundo suas dores, elas são suas,
talvez seja preciso... e tão somente,
fazer do silêncio um refúgio, da solidão um abrigo,
e que você mesmo... encontre uma saída.
Desvincule-se dessa massa débil que vaga sem saber aonde ir,
repartindo em caprichos seus desarranjos, seus desconcertos.
Basta... estanque esse seu desespero,
abandone essas mascaras invisíveis presas à cara,
desaposse dessa morbidez de alma, dessa tristeza no andar,
despoje essa insolência que carregas no olhar.
Há que se diferenciar dos outros... não necessita ser o primeiro,
nem carregar um selo de autenticidade... basta ser verdadeiro.
O mundo não quer saber das suas dores, ele aguarda suas propostas.
O universo te observa, te olha com fervor.
Proponha um novo caminho, reinvente os sonhos,
uma nova reengenharia de si mesmo,
destile harmonia, reenvie singeleza... equilíbrio.
E para os que te olham com desdém,
fita-os demoradamente, e em silencio... vá embora,
mas, antes... devolva-lhes um sorriso
de amor.

Autoria: Ari Mota

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