domingo, 20 de março de 2011

Natureza...




Também necessitamos da Natureza para que nos mostre o caminho de volta a casa, o caminho da saída da prisão de nossas mentes. Dependemos da natureza não só para nossa sobrevivência física .

Nos esquecemos o que as rochas, as plantas e os animais já sabem . Nos esquecemos de ser: de ser nós mesmos , de estar em silencio , de estar onde está a vida: Aqui e Agora .

Dirige a tua atenção a uma pedra , a uma árvore ou a um animal, não significa “pensar neles ”, senão simplesmente percebê-los , tomar consciência deles.

Ao perceberes isto , tu também entras em um lugar de profundo repouso dentro de ti mesmo . Então eles te transmitem algo de sua essência . Sente o profundo que descansas no Ser, completamente unido com o que és e com onde estás.

Quando caminhes ou descanses na natureza , honra esse reino, permanecendo nele plenamente. Serena-te . Observa. Escuta .

Observa como cada planta e animal são completamente eles mesmos . A diferença dos humanos, não estão divididos em dois . Não vivem através de imagens mentais de sí mesmos , e por isso não têm que se preocupar em proteger e potenciar essas imagens .

Todas as coisas naturais , além de estar unidas consigo mesmas , estão unidas com a totalidade das coisas . Não se afastaram da totalidade reclamando uma existência separada: o “Eu”, este grande criador de conflitos .

Tú não criaste teu corpo , e tampouco és capaz de controlar tuas funções corporais . Em teu corpo opera uma inteligência maior que a mente humana. É a mesma inteligência que sustenta tudo na natureza . Para acercar-te ao máximo a essa inteligência , seja consciente de teu próprio campo energético interno, sente a vida, a presença que anima o organismo.

Quando percebes a natureza tão só através da mente, do pensamento , não podes sentir sua plenitude de vida, seu ser. Unicamente vês a forma e não o ser consciente da vida que a anima, do mistério sagrado.

O pensamento reduz a natureza a um bem de consumo, a um meio de conseguir benefícios , conhecimento,  ou algum outro propósito prático.

Observa, sente um animal, uma flor , uma árvore , e veja como descansam no Ser. É uma harmonia , uma sacralidade que além de compenetrar a totalidade da natureza , também está dentro de ti.. Cada um deles é ele mesmo . Têm uma enorme dignidade, inocência, santidade . No momento em que vês além das etiquetas mentais, sentes a dimensão inefável da natureza , que não pode ser compreendida pelo pensamento.

A respiração é natural. O ar que respiras é natural, como o próprio processo de respirar Dirige a tua atenção a tua respiração e veja que não és tú quem respira.

Conecta com a natureza de modo mais íntimo e interno percebendo tua própria respiração e aprendendo a manter nela tua atenção . Esta é uma prática muito saudável , curativa e energizante . Produz uma cambio de consciência que te permite passar do mundo conceitual do pensamento ao da consciência incondicionada.

Necessitas que a natureza te mostre e te ajude a reconectar com teu Ser. Não estás separado da natureza . Todos somos parte da Vida Única que se manifesta em incontáveis formas em todo o Universo, formas que estão , todas elas , completamente interconectadas.

Quando reconheces a santidade, a beleza, a incrível quietude e dignidade que existe numa flor ou numa árvore, tu acrescentas algo a essa flor ou a essa árvore .

Pensar é uma etapa na evolução da vida. A natureza existe em uma quietude inocente que é anterior ao surgimento do pensamento. Quando os seres humanos se aquietam , vão além do pensamento . A quietude que esta além do pensamento, contém uma dimensão superior de conhecimento , de consciência .

A natureza pode levar-te a quietude . Este é o seu presente para ti. Através de ti, a natureza toma consciência de si mesma . Quando percebes a natureza e te unes a ela no campo da quietude, se enche de tua consciência . Este é o teu presente para a natureza . É como se a natureza estivesse estado esperando durante milhões de anos por isso . 

Autoria: Eckhart Tolle

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