segunda-feira, 1 de julho de 2013

Joelhos vergados...






 Ele debruçou-se inseguro na janela de suas ilusões, indócil com o vai e vem de muitas dúvidas e questionamentos, fragilizado com os seus momentos de depressão, desses que parecem apagar toda e qualquer luz ou esperança, confuso com a alternância de contraditórios sentimentos, vendo ruir até mesmo as crenças e os valores que lhe pareciam tão sólidos e definidos.

Um dia ele veio a saber, bastante surpreso, que naquele tempo em que ele teve tantas dúvidas e sentiu tanto medo, quando considerou-se um inútil fracassado e quando tão poucas certezas ele teve sobre tudo, exceto da própria miserabilidade, foi justamente quando ele esteve mais próximo da verdade. Foi quando o “Supremo” acercou-se dele com delicadeza extremada e fez morada no seu coração de menino.

Ele não sabia, mas era a primeira vez em toda a sua vida de vaidades, de mundanos apegos e ilusões, que ele estava completamente desamparado e desarmado. E ao desarmar-se, ao diluir-se na própria dor, ao reconhecer sua própria e imensa fragilidade, ao constatar a sua profunda necessidade de celestial amparo, ele finalmente vergou os joelhos e gritou: Deus!

Autoria: Fátima Irene Pinto

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