sexta-feira, 12 de agosto de 2011

As rugas da alma...

 
 
 
 
 
É verdade insofismável que todos nós, um dia, envelheceremos. Nascemos envelhecendo, minuto a minuto. É a trajetória inexorável da vida. O tempo cumprindo sua missão. Olharemos nossa face no espelho e veremos outra imagem diferente da que fazíamos de nós. Veremos apenas um vago reflexo do que fomos um dia. A pergunta será inevitável: onde foi parar meu viço, minha beleza?

Muitas pessoas desesperam. Entram em verdadeiro looping, não aceitando o passar do tempo. Há verdadeiras legiões de almas desassossegadas que buscam resolver suas carências e tristezas em clínicas de cirurgia plástica e rejuvenescimento. Existem hordas de novos pacientes, todos os dias, abarrotando consultórios e buscando – através de milagres com fórmulas, chás, exercícios pesados, novas dietas e tantas outras maluquices – a eterna fonte da juventude. É o culto à beleza. Velhice é out. Será mesmo?

Importante lembrar que cada fase da vida tem suas delícias e seus encantos. Parece que estamos esquecendo isso, às vezes. Em cada ruga, cada sulco que nos acompanha, há uma marca a ser cultuada também – realizações, dificuldades, etapas vencidas arduamente, tristezas que superamos, recordações que não devem ser apagadas como se usássemos o fotoshop para tudo.

Jamais condenaria quem fez, faz ou fará cirurgias plásticas ou procedimentos estéticos. Todas nós recorremos a essa bênção da medicina, até mesmo com fins reparadores. É bom e saudável cuidar do corpo para sentir-se bem e feliz.  Mas dentro de critérios e parcimônia. Desde que não se transforme em vício, obsessão.

Na realidade, a grande distorção de imagem do final do século passado e do atual é que o sonho de consumo passou a ser a reforma externa. Desaprendemos o ritual de cultivar a beleza interna. Antes da plástica, deveria ser necessário que se fizesse uma reforma íntima – de valores, princípios, espiritualidade, compaixão, fé, amor. Uma verdadeira revolução dentro de nós mesmos, buscando nossa beleza interior no sentido mais abrangente.

Com a idade, avançamos, crescemos, progredimos. Beleza exterior é uma roupa que velha, de repente, já não nos serve mais. O exterior, como continente, serve de invólucro ao conteúdo. É casca. Perece.

Não trocaria meus 50 e alguns de hoje pelos 20 e poucos de ontem. Tinha carinha de princesa. A cabecinha era até aproveitável, mas o conhecimento e a experiência que possuo hoje dão de 10 a zero na menina. Se pudesse, voltava com 50!

Idade nunca foi sinal de feiúra. É sinal de amadurecimento, serenidade, bom-senso, sabedoria adquirida.

Concluo que só é feio quem não se ama.

Autoria: Carmen Macedo

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