terça-feira, 22 de março de 2011

A inspiração do caminho...



Perguntaram a Shibli: ‘Quem o guiou no Caminho’?

Shibli respondeu: ‘Um cão. Um dia eu o vi, quase morto de sede, parado junto à água. Toda vez que ele olhava seu reflexo na água, ficava assustado e recuava, porque pensava ser outro cão. Finalmente, era tamanha a sua sede, que abandonou o medo e se atirou para dentro da água; com isto, o reflexo desapareceu.

O cão descobriu que o obstáculo - que era ele próprio -, a barreira entre ele e o que buscava, havia se desvanecido. Da mesma forma, meu obstáculo se desvaneceu quando eu soube que aquilo que eu pensava ser eu mesmo, era o próprio obstáculo. E o meu Caminho foi-me mostrado, primeiro, pelo comportamento de um cão’.

... Esta estória do Mestre Shibli é muito bonita....

Um homem que está pronto a aprender, pode aprender de qualquer lugar. Outro que não está pronto, não pode aprender nem mesmo de um Buda. Depende de você. Um cão pode se tornar um deus, se você estiver pronto a aprender. Mesmo um deus pode não parecer um deus, se você não está pronto.

No final de tudo, depende de você. Estar pronto a aprender significa estar aberto a todas as possibilidades, sem preconceito. ... De outro modo, quem observaria um cão? Você nem tomaria conhecimento, passaria por ele e perderia a oportunidade que fez de Shibli um homem transformado, que se tornou um guia.

‘Quem o guiou no Caminho?’, alguém perguntou a Shibli.

Jamais podia pensar que ele responderia: ‘Um cão. Um dia, eu o vi, quase morto de sede, parado junto à água':

Esse é o lugar onde todos vocês estão: junto da água, quase mortos de sede. Mas alguma coisa os impede, porque vocês não estão saltando para dentro. Alguma coisa os segura. O que é? É uma espécie de medo. Porque a margem é conhecida, é familiar, e pular no rio é ir em direção ao desconhecido.

O conhecido é sempre morto como uma margem e o desconhecido é sempre fluido, fluido como um rio.... O medo sempre diz: ‘Agarre-se àquilo que é familiar, conhecido’. E então o medo faz você se mover em círculos, porque somente um caminho circular pode ser familiar. Você se move sempre e sempre no mesmo traçado. Tudo é conhecido.

Alguém perguntou a Buda: ‘Você diz que a Verdade não pode ser ensinada. Então porque ensina? E diz que ninguém pode forçar qualquer pessoa a alcançar a Iluminação, então por que trabalha tanto com as pessoas’?

E dizem que Buda respondeu: ‘A Verdade não pode ser ensinada, mas a sede sim. Ou, pelo menos, você pode tornar-se consciente de sua sede - que está sempre presente, mas você a reprime’. Por causa do medo, você reprime a sede. Você continua reprimindo o que está continuamente ali. Um descontentamento profundo com tudo que está à sua volta. Um descontentamento divino, uma sede.

‘O cão descobriu que o obstáculo’ ... não estava fora, era ele próprio. ...Ele próprio era a barreira entre sua sede e a água, sua fome e a saciedade, seu descontentamento e a satisfação, sua busca e a meta, sua procura e o encontro. Não havia ninguém mais, exceto seu reflexo na água.
E esse é o caso, exatamente, o caso de todos vocês, com todos. Ninguém os está impedindo. Algo como uma espécie do seu próprio reflexo entre você e seu destino, entre você como semente e você como flor - não há ninguém mais impedindo, criando qualquer obstáculo. Portanto, não continue a jogar a responsabilidade nos outros. Essa é uma forma de se consolar. Deixe de consolar-se, deixe de ter autopiedade. Olhe profundamente no espelho. E todos são um espelho à sua volta. Olhe fundo - você descobrirá seu próprio reflexo em toda parte.

... Assim, seja qual for a situação, fique atento. E observe sem qualquer preconceito. Observe sem o passado, sem um pensamento de sua parte. Não interprete. Observe! Se seus olhos estão claros, se sua percepção está clara, e você observa silenciosamente, todas as situações o conduzem ao Divino. É assim que deveria ser! Cada situação, cada momento da vida, conduz ao Divino.


Autoria:
Osho

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